IA Responsável para Cidades Inteligentes: tecnologia a serviço do cidadão

Vivemos um momento singular na história: uma convergência de fatores que está redefinindo como as cidades funcionam, como os governos operam e como nós, cidadãos, nos relacionamos com o poder público.
Três forças moldam esse cenário. A primeira é o uso do digital pela sociedade, especialmente em um país como o Brasil, que figura entre os mais conectados do planeta. A segunda é o avanço acelerado da tecnologia, em especial da inteligência artificial. A terceira é o volume histórico de investimentos em inovação, impulsionando a transformação digital em governos e instituições.
Esse movimento chega com força ao dia a dia das pessoas. O cidadão brasileiro quer resolver suas demandas na palma da mão, de forma simples e segura. Essa mudança cultural cria um terreno fértil para a digitalização do setor público. Mas essa transformação só é real quando tem propósito. Tecnologia, por si só, não muda a vida das pessoas, ela é o meio para isso acontecer.
De cidades tecnológicas a cidades inteligentes
Há uma década, falar em cidades inteligentes era falar de sensores, câmeras e infraestrutura conectada. Hoje, o conceito evoluiu. Ser inteligente é integrar sistemas, agir sobre os dados gerados e colocar o cidadão no centro das decisões públicas.
Segundo a OCDE, 67% dos países já utilizam inteligência artificial na entrega de serviços públicos. E uma pesquisa global da Salesforce mostra que 90% dos cidadãos, inclusive no Brasil, afirmam que usariam um agente de IA para interagir com o governo. Esses números mostram o quanto a inteligência artificial já faz parte da rotina das cidades e da vida das pessoas.
Mas, ser uma cidade inteligente não é ter mais tecnologia, é compreender o problema e aplicar a tecnologia certa para resolvê-lo.
Esse movimento já é realidade no Brasil. Cidades como Presidente Prudente, Limeira, Criciúma e Aracaju vêm mostrando que é possível simplificar serviços, reduzir burocracias e economizar recursos públicos com o apoio de soluções digitais desenvolvidas para o setor público. Em Aracaju, por exemplo, a digitalização de processos resultou em R$ 21 milhões de economia em papel e insumos em pouco mais de três anos.
IA pública, ética e responsável
A inteligência artificial ocupa papel central na construção das cidades inteligentes, mas precisa ser aplicada com responsabilidade.
Na Softplan, falamos de IA responsável, aquela que respeita a privacidade, a segurança dos dados e, acima de tudo, valoriza a função humana. A IA não substitui pessoas, ela amplia suas capacidades.
Um gestor público que utiliza IA para interpretar dados e planejar políticas não está delegando decisões à máquina, mas tornando-se um decisor mais informado e estratégico.
O Brasil já deu passos importantes nesse caminho. A Lei do Governo Digital (2021) abriu espaço para a integração de sistemas. A Carta Brasileira para Cidades Inteligentes define diretrizes nacionais de sustentabilidade e inclusão. E o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA 2025–2028) prevê R$ 23 bilhões em investimentos, fortalecendo o uso ético e seguro da IA no setor público.
Essas bases criam o ambiente ideal para o avanço da inteligência artificial nas cidades brasileiras, desde que seja aplicada com foco em impacto social e governança responsável.
Inclusão e cidadania digital
Mais do que eficiência, a IA deve ser um instrumento de inclusão e democratização da gestão pública.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aponta a digitalização como uma das principais alavancas de eficiência e confiança institucional. Mas, para isso, a tecnologia precisa se adaptar às diferentes realidades municipais.
Segundo o IBGE (2024), 87% da população brasileira vivia em áreas urbanas, mas a maioria dos municípios tem menos de 50 mil habitantes. A inteligência artificial precisa caber na cidade, simplificando, conectando e ampliando a capacidade de gestão de forma acessível e proporcional ao contexto local.
Um exemplo é a 1Doc solução da Softplan que conecta centenas de prefeituras em todo o Brasil, de pequenas cidades a grandes capitais.
Com processos digitalizados e atendimento unificado ao cidadão, a plataforma já gerou mais de R$ 500 milhões em economia de papel e insumos, além de agilizar comunicações internas e fortalecer a transparência pública.
Conclusão
Ser uma cidade inteligente é colocar a tecnologia a serviço do cidadão.
O Brasil vive um momento de maturidade digital, competência técnica e um ecossistema de inovação vibrante. O desafio agora é expandir essa transformação para todos os municípios, das grandes metrópoles às pequenas cidades, onde a digitalização tem impacto direto na vida das pessoas.
Na Softplan, seguimos com a missão de construir, junto com o setor público, soluções que simplifiquem a gestão e tornem as cidades mais humanas, eficientes e sustentáveis.
No fim do dia, a verdadeira cidade inteligente é aquela que usa a tecnologia para garantir dignidade, transparência e qualidade de vida, independentemente do tamanho do seu orçamento ou da sua infraestrutura.